O barro não mente. Você não consegue apressar a argila — ela tem o próprio tempo. E foi isso que ela me ensinou sobre fotografia.
Comecei a trabalhar com cerâmica alguns anos atrás, inicialmente como descanso da câmera. Precisava de algo que envolvesse as mãos de uma forma diferente — algo que não pudesse ser editado depois, que existisse no mundo físico com toda a sua imperfeição.
O que não esperava era que o barro fosse me ensinar tanto sobre imagem.
A lentidão como método
Na fotografia digital, existe a tentação do volume. Você pode tirar trezentas fotos em uma sessão e escolher as dez melhores. Isso tem valor — mas também cria uma relação com a imagem que é, fundamentalmente, de descarte.
Na cerâmica, você não pode descartar. Cada peça exige horas de trabalho antes de você saber se vai funcionar. O forno é o momento da verdade — e você não controla o que acontece lá dentro. Rachaduras, deformações, vidrados que não saíram como planejado. Ou então algo inesperadamente belo que você não poderia ter planejado.
Isso me ensinou a fotografar com mais intenção. A esperar o momento em vez de atirar e torcer. A aceitar que a melhor foto pode não ser a que eu planejei.
A textura como linguagem
Trabalhar com barro me tornou obcecada por textura. As marcas dos dedos na argila, a irregularidade de uma superfície que foi tocada por mãos humanas — isso conta uma história que a superfície lisa não consegue contar.
Essa obsessão migrou para a fotografia. Passei a prestar mais atenção à textura da pele, do tecido, da luz. A granulação do filme analógico que às vezes uso. A imperfeição que torna uma imagem viva.
O que as peças têm em comum com as fotos
Tanto uma peça de cerâmica quanto uma fotografia autoral são objetos que carregam tempo. A peça carrega o tempo de sua feitura — as horas na roda, a espera do forno, o resfriamento lento. A foto carrega o tempo de um instante — mas também o tempo de tudo que levou até aquele instante.
"O barro me ensinou que imperfeição não é o oposto de beleza. É o que a torna humana."
